Entrevista: Luís Fernando Jardim

O cirurgião-dentista e delegado da Seccional Ribeirão Preto do CROSP fala sobre dos impactos da Covid 19 na Odontologia e da importância de se investir em saúde

A pandemia causada pelo Coronavírus destaca o papel fundamental dos profissionais da saúde, entre eles os cirurgiões-dentistas. Casos de maior complexidade, urgentes e a necessidade, cada vez mais, latente de exames auxiliares para diagnósticos precisos colocaram em evidencia a importância da Radiologia. A realidade vivida tem promovido ensinamentos profundos sobre a importância de se investir na saúde. 
Para falar sobre os reflexos na Odontologia, no comportamento do mercado, a atuação do CROSP e a importância da Radiologia neste contexto, a Revista APCD Ribeirão Preto convidou o Dr. Luís Fernando Jardim – delegado da Seccional Ribeirão Preto do CROSP, cirurgião-dentista, especialista em Radiologia, empresário, sócio - proprietário da Radiologia Jardim. 


ENTREVISTA

Revista APCD-RP:  Como avalia esse período de nossa história?
Luís Fernando Jardim:  A pandemia do Covid -19 foi um grande divisor de águas para a toda a humanidade em diversos aspectos. Reflexões de estilo de vida, diversificação das formas de trabalho e a crescente valorização da saúde evidenciam uma época de acelerada e transformadora mudança em toda a cadeia de relacionamento da econômica mundial.

De uma maneira geral quais foram os reflexos desta realidade para na Odontologia?
Fernando Jardim: Em um primeiro momento, o setor da saúde foi um dos mais penalizados, principalmente a odontologia. O medo, a politização das informações e o próprio desconhecimento da doença, vieram como um tsunami. O Dentista está no vértice da pirâmide de risco de contagio, pela proximidade e contato de trabalho com a cavidade bucal do paciente. Hoje vemos que esse receio na busca pelo tratamento odontológico gerou casos graves que poderiam ter sido tratados de formas simples. 
Ao longo da pandemia, o mundo virtual ganhou força e houve um crescimento na busca de informações da área da saúde. Hoje lidamos com um perfil de paciente diferente de 2019, mais seletivo, exigente e com maior conhecimento.

Em tempo de Covid 19, a Radiologia reafirmou a sua importância para diagnósticos precisos e decisivos? 
Fernando Jardim: Neste período com os cuidados preventivos e seguindo todas as normas preconizadas de segurança, em nenhum momento deixamos de atender emergências dos nossos clientes: a insegurança, o medo e estresse funcionaram como um gatilho para dores, fraturas dentais e outras patologias. 
O paciente passou a valorizar mais a qualidade e a precisão do diagnóstico e do tratamento. O preço passa a ser um tema relativo, hoje o foco é maior em cima do custo-benefício.

Quais foram as adequações nos protocolos feitas na Radiologia Jardim?
Fernando Jardim: Todos os atendimentos passaram a ser agendados e com um intervalo maior de tempo, instruímos os pacientes a chegar à clínica na hora exata e preferencialmente sem acompanhantes. Na Unidade Centro ativamos um terceiro aparelho panorâmico para agilizar os atendimentos e na Unidade Ipiranga mudamos o prédio para que os atendimentos fossem feitos de forma mais confortável.
Intensificamos a assepsia dos equipamentos tocados pelos pacientes e equipe após cada atendimento e fizemos uma campanha para incentivar o uso dos exames digitais, visando reduzir a contaminação via exames físicos.

Quanto à população em geral, respondeu aos apelos adotando as ações preventivas?
Fernando Jardim: De uma forma geral, todos acabaram acatando as mudanças, isto passou a ser o “novo normal”.

Para o profissional de Odontologia, em consequências da Covid 19, o que mudou?         
Fernando Jardim: Inicialmente o impacto econômico foi muito grande para a categoria. Mas hoje conseguimos visualizar uma mudança muito positiva de valorização da importância da saúde bucal e de respeito da população aos Cirurgiões dentistas, que irá se refletir muito positivamente para a odontologia nos próximos anos.

O Conselho de Odontologia tem sido atuante, em tempo de Covid 19, disponibilizando muitas orientações.  Isto tem feito a diferença?
Fernando Jardim: O Conselho de Odontologia do estado de São Paulo tem atuado intensamente na defesa dos interesses de seus associados, dentre tantas ações, se destacam o trabalho junto às secretarias de saúde na luta por vacinas e representação junto aos fornecedores de insumos, além da disseminação de informação e materiais educativos em tempos de grande incerteza.

A fiscalização do CROSP regional continua atuando neste período? Houve muitas ocorrências?
Fernando Jardim: Com a pandemia o CRO passou a funcionar exclusivamente de forma online, inclusive a fiscalização. Talvez pela maior acessibilidade, o número de ocorrências aumentou consideravelmente e superou os números previstos. 

A sua atuação junto aos profissionais na Vacinação em Ribeirão Preto tem sido uma constante. O que o tem motivado?
Fernando Jardim: Toda a classe odontológica estava muito aflita, apreensiva com a demora da chegada e início da vacinação para os profissionais de saúde. A AORP, presidida pela Dra Fabiana Carelli, a APCD presidida pelo Dr Regis Peporini, a Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, Dr Sandro Scarpelini e  sua equipe , Dr Artur Rocha Martini,  Coordenador da Odontologia de Ribeirão Preto, o CRO  representado pelo Dr Ulisses Nicida, Diretor do CRO, Eu – Dr Luís Fernando Jardim, Delegado do CRO, Dr Fabrico Chemello, Coordenador da fiscalização e os fiscais : Carolina L Thomazini e Dr Victor Jacometti, todos trabalharam arduamente e voluntariamente para que o primeiro mutirão de vacinação, fosse realizado a “toque de caixa”.
A partir deste primeiro mutirão, entendi que deveria doar meu tempo à classe odontológica contribuindo com as próximas campanhas, me juntando a um batalhão de voluntários da rede pública. A estes, meus sinceros agradecimentos e meus parabéns a cada profissional, a cada voluntário e ao excelente trabalho do SUS.

Com avanço da vacinação e com demanda reprimida devido a COVID, a procura por tratamentos e exames radiológicos está voltando ao normal?
Fernando Jardim:
Sim, aos poucos já sentimos uma melhora na procura pelos tratamentos odontológicos e, consequentemente, aos nossos serviços de diagnóstico por imagem. Já se observam alguns cursos e eventos presenciais pequenos e há um planejamento para o retorno às aulas físicas nas faculdades.

Qual sua expectativa quanto ao futuro?                                               
Fernando Jardim:  Como disse anteriormente, acredito em um cenário muito positivo para a odontologia no médio e longo prazo, estamos em evidência, oportunidades estão surgindo e cabe a nós saber aproveitá-las. 
Economicamente, apesar dos efeitos nocivos da pandemia, vemos a retomada econômica ganhando corpo e o consumo voltando, principalmente nas grandes empresas e agora o setor prestador de serviços. A expectativa de um grande aumento do PIB do país (termômetro da economia) se desenhando, mas, infelizmente, as classes com menor poder aquisitivo serão as últimas sentir este efeito, agravado pelo aumento a nível mundial da inflação, pela escassez de matérias primas e insumos.

Que legado deverá ser deixado pelas vivências deste período de nossa história. Em sua opinião quais os ensinamentos ficaram?
Fernando Jardim: A importância do convívio com nossos familiares e amigos, o fato de apreciar pequenos momentos e até as tímidas conquistas, a virada de chave dos reais valores durante nosso lapso de vida na existência.


FONTE: Revista APCD-RP
Edição 319 – Setembro 2021


Publicado em 14/09/2021.

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