Presença e localização de quarto canal em molares superiores

Eloá C. Bicego-Pereira, Emelly de Aveiro, Vito M. Chiarelli-Neto, Ezequiel Gabrielli, Brenda P. F. A. Gomes

O conhecimento da anatomia dos canais radiculares é essencial, visto sua complexidade, em especial os molares superiores, pela ampla variação, representando um constante desafio para os dentistas. Geralmente os molares superiores apresentam 3 raízes, mesiovestibular, distovestibular e palatina, variando o número de canais presentes nas raízes1.

A manutenção de microorganismos e seus subprodutos no sistema de canais radiculares podem gerar insucesso do tratamento endodôntico2. Os insucessos encontrados em molares superiores estão relacionados à obturações incompletas e a presença de canais não tratados, favorecendo a manutenção e perpetuação de microrganismos. Portanto, o conhecimento das variações anatômicas é essencial para evitar o insucesso do tratamento endodôntico1.

A prevalência dos quarto canais nos primeiros molares superiores é em torno de 65%, quando analisado em exame tomográfico3. A periodontite apical em dentes tratados endodonticamente com canais sem tratamento é de 90%. Destes canais não tratados, foram identificados em 40,6% dos casos, nos primeiros molares superiores4.

As radiografias periapicais são amplamente utilizadas na odontologia, no entanto são limitadas no diagnóstico da identificação das variações anatômicas e do quarto canal, podendo realizar uma radiografia distoradial para visualização dos canais, e ápice romboide tem maior chance de ter o quarto conduto do que quando afilado. Sendo a tomografia computadorizada cone-beam, o exame mais indicado para a visualização das variações anatômicas5.

Alguns fatores clínicos e radiográficos nos sugerem a presença de um quarto canal como: o formato da coroa mais quadrado, grande distância entre o conduto mesiovestibular e palatino, embocadura do conduto mesiovestibular muito deslocada para vestibular, imagem radiográfica mostrando linhas radiolúcidas longitudinais laterais, e se radiografarmos com um instrumento intracanal no canal mesiovestibular e o instrumento não estiver centralizado1.

A localização do quarto conduto é ligeiramente deslocada para a mesial do rostrum canali atrás do mesiovestibular. Além disso, o uso do microscópio operatório clínico auxilia bastante na localização das embocaduras1


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
1 Bramante CM, Moraes IG, Bramante AS, Hungaro MA. Cavidade pulpar aspectos morfológicos voltados à endodontia. São Paulo: Quintessence Editora, 2016.
2 Bicego-Pereira EC, Barbosa-Ribeiro M, de-Jesus-Soares A, Zaia AA, Ferraz CCR, Almeida JFA, Marciano MA, Feres M, Gomes BPFA. Evaluation of the presence of microorganisms from root canal of teeth submitted to retreatment due to prosthetic reasons and without evidence of apical periodontitis. Clin Oral Investig 2020; 24(9): 3243-54.
3 Anirudhan S, Suneelkumar C, Uppalapati H, Anumula L, Kirubakaran R. Detection of second mesiobuccal canals in maxillary first molars of the Indian population - a systematic review and meta-analysis. Evid Based Dent 2022. In press.
4 Mashyakhy M, Hadi FA, Alhazmi HA, Alfaifi RA, Alabsi FS, Bajawi H, Alkahtany M, AbuMelha A. Prevalence of missed canals and their association with apical periodontitis in posterior endodontically treated teeth: A CBCT study. Int J Dent 2021; 2021: 9962429.
5 Magalhaes J, Velozo C, Albuquerque D, Soares C, Oliveira H, Pontual ML, Ramos-Perez F, Pontual A. Morphological study of root canals of maxillary molars by cone-beam computed tomography. ScientificWorldJournal 2022.


Paciente 1. Dente 16 tratado endodonticamente há 5 anos, sintomatologia dolorosa espontânea. Na radiografia periapical tivemos suspeita de desvio do conduto e presença de lesão periapical. Na tomografia foi evidenciado a presença do quarto canal associado a lesão periapical. Sob microscópio, foi possível a localização do quarto canal, e sua instrumentação seguida pela obturação.

 


 

 

Paciente 2. Dente 16  tratado endodonticamente há 8 anos,assintomático. Durante planejamento de implante, solicitou-se uma tomografia. Na tomografia foi evidenciado a presença do quarto canal associado a lesão periapical extensa. Sob microscópio, foi possível a localização do quarto canal, e sua instrumentação seguida pela obturação.

 

 

 

Paciente 3. Dente 26 tratado endodonticamente há 22 anos, com presença de fistula e sintomatologia dolorosa espontânea. Na radiografia periapical suspeitou-se de lesão de furca. Na tomografia foi evidenciado a presença do quarto canal associado a lesão periapical extensa. Sob microscópio, foi possível a localização do quarto canal, e sua instrumentação seguida pela obturação.

 

 

 

Publicado em 26/04/2022.

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