Pré-Lavagem e Lavagem Ultrassônica

A limpeza profunda de verdade, que vai proteger seu instrumental, sua autoclave e você. As orientações de Waldomiro Peixoto

Pré-Lavagem e Lavagem Ultrassônica

As muitas dicas de Waldomiro Peixoto

Nos artigos anteriores, falamos sobre ciclos pré-vácuos e gravitacionais de autoclaves Classe B e N. Como só existe esterilização se o material estiver limpo completamente, hoje falaremos de pré-lavagem e lavagem ultrassônica. A limpeza profunda de verdade, que vai proteger seu instrumental, sua autoclave e você.

Um princípio: material não-limpo não é esterilizável; onde há sujeira não há esterilização. 

Outro princípio: os procedimentos operacionais padrão (POP), preconizados pela ANVISA, são uma corrente. Todas as fases dos procedimentos são seus elos e nenhum é mais importante que o outro.

A limpeza bem feita é um elo e não pode, em nenhuma hipótese, ser negligenciada, sob pena de comprometer o processo completo da esterilização como se espera. 

Um material para ficar limpo tem que sofrer quatro ações: mecânica, química, térmica e temporal.

A mecânica se faz com instrumentos adequados ao tipo de material a ser limpo. A química se faz através de detergentes ou solução enzimática. A térmica se dá pelo aquecimento do líquido entre 40°C a 56°C (acima dessa temperatura, as enzimas começam a perder o efeito). E a temporal ocorre com o material mergulhado no líquido dentro da cuba ultrassônica durante cerca de 5 minutos de cavitação (este é um tempo médio). 

Antes do material sofrer a ação ultrassônica, ele deve ser pré-lavado, enxaguado e secado com jato de ar comprimido, principalmente em articulações e luzes de acanulados. Durante a pré-limpeza devem ser utilizados instrumentos de ação mecânica e os EPI – Equipamentos de Proteção Individual corretos. 

Quanto menor o tempo entre o descarte pós-utilização e a pré-limpeza, mais eficaz é a remoção de sujeiras ou fluidos orgânicos. 

O detergente utilizado na pré-lavagem deve ser neutro ou alcalino. 

O que é uma lavadora ultrassônica? É um equipamento que produz uma frequência ultrassônica igual ou acima de 35.000 Hertz, aplicada nas paredes de aço da cuba, através de pastilhas cerâmicas, dentro da qual se coloca água, na qual se mergulham os materiais que sofrerão uma ação por cavitação. 

O que é cavitação? É um fenômeno que ocorre a partir da formação de milhões de microbolhas dentro da água que, ao implodirem, retiram (“sugam”) o que estiver aderido à superfície do instrumental. Sua ação é efetiva também nos pontos onde a lavagem mecânica manual não alcança.

Para favorecer a remoção de sujidades e potencializar a limpeza, a água enzimatizada deve estar aquecida a uma temperatura entre 40°C e 56ºC. A limpeza ultrassônica é, então, a combinação de cavitação + calor + detergente + tempo. 

O detergente enzimático não é bactericida, logo o líquido utilizado na limpeza de um lote de instrumentos deve ser descartado, sob pena de o lote sair contaminado mais do que entrou com os micro organismos do lote anterior.

Antes de fazer a limpeza ultrassônica, deve-se fazer um ciclo de desgaseificação, sem nada submerso no líquido enzimatizado, durante cerca de 2 minutos, para eliminar as bolhas de ar que existem naturalmente dentro do líquido. A presença delas interfere na ação direta da cavitação sobre a superfície dos instrumentos. 

Por fim, depois da lavagem ultrassônica, o material tem de ser enxaguado, seco e inspecionado visualmente. 

Enxaguar com água filtrada, secar com ar comprimido (se usar toalha, atentar para não deixar fiapos ou fibras no instrumental) e utilizar uma lupa com aumento cerca de 8 x e boa iluminação para inspecionar se o instrumental está completamente limpo. Películas de biofilme podem ser confundidas com ferrugem ou oxidação. Se identificada essa película, lavar novamente o instrumental. Quanto mais limpo menor é a possibilidade de o instrumental ficar manchado, perder o brilho ou escurecido. 

A eficiência da cavitação deve ser testada periodicamente. Para isso, existem indicadores em forma de frascos ou fitas que, submersos no líquido e submetidos à ação cavitacional, mudam de cor. A leitura da mudança de cor deve ser feita conforme orientação do fabricante.

Depois completamente limpo, seco e inspecionado, se tudo estiver em conformidade, o material deve ser embalado para se acondicionado na bandeja da autoclave, temas para o próximo artigo.


FONTE: Revista APCD – Ribeirão 
Edição 316 -  Junho 2021

(16) 3630-0711

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