Palestra da Dra. Nicole Bettiol no CIOSP: DVO e Harmonização Orofacial

Quando a função e a estética caminham juntas, ressalta a especialista e profa. da APCD-FAOA Ribeirão

Palestra da Dra. Nicole Bettiol no CIOSP: DVO e Harmonização Orofacial

O restabelecimento da Dimensão Vertical de Oclusão (DVO) tem se consolidado como um dos pilares da reabilitação oral moderna. Mais do que devolver altura dentária, o procedimento promove equilíbrio funcional, melhora a saúde da Articulação Temporomandibular (ATM) e impacta diretamente a harmonia do terço inferior da face.

A redução da DVO é uma condição relativamente comum na prática clínica. Pode ser consequência de desgastes severos provocados por bruxismo, erosão, atrição, perdas dentárias ou reabilitações inadequadas ao longo dos anos. O resultado costuma ser perceptível não apenas na oclusão, mas também na aparência facial: colapso do terço inferior, aprofundamento de sulcos, perda de suporte labial e um aspecto de envelhecimento precoce.

Sob uma perspectiva integrativa, esse foi o tema da palestra ministrada pela professora Dra.  Nicole Bettiol, especialista em Harmonização Orofacial (HOF) no auditório da Colgate Talkes no CIOSP, em parceria com a Alliage.  Segundo a docente, a DVO não deve ser analisada apenas como uma medida numérica, mas como um determinante estrutural da saúde do sistema estomatognático. “Quando perdemos dimensão vertical, não há apenas desgaste dentário — há alteração muscular, sobrecarga articular e comprometimento estético”, destacou.

O diagnóstico exige olhar clínico atento e planejamento criterioso. Fotografias, análise facial, enceramento diagnóstico, mock-up e recursos digitais auxiliam na previsibilidade do tratamento. No entanto, a adaptação neuromuscular do paciente continua sendo um dos principais indicadores de sucesso.

Um dos pontos centrais da palestra foi a relação entre função e estética. Ao restabelecer a DVO, recupera-se a altura facial, melhora-se o suporte dos lábios e restabelece-se o equilíbrio do perfil. A reabilitação passa a ter impacto direto na percepção de rejuvenescimento facial — não por meio de preenchimentos isolados, mas por reposicionamento estrutural.

É nesse momento que a Harmonização Orofacial entra como aliada. De acordo com o especialista, procedimentos como toxina botulínica ou preenchedores devem ser complementares e nunca substitutos da reabilitação funcional. “Primeiro estabilizamos a base oclusal. Depois, se necessário, refinamos a estética”, pontuou.

O protocolo pode envolver aumento gradual da dimensão vertical, uso de provisórios por período prolongado e monitoramento da adaptação muscular e articular. A avaliação contínua da ATM é fundamental para garantir segurança e estabilidade a longo prazo.

A abordagem multidisciplinar também foi ressaltada como diferencial nos casos mais complexos, integrando Prótese, Ortodontia, Periodontia, Implantodontia e HOF. Para Bettiol, a Odontologia contemporânea exige essa visão ampliada, na qual saúde, função e estética não competem — se complementam.

O restabelecimento da DVO, portanto, ultrapassa a reconstrução dentária. Trata-se de uma intervenção que reorganiza estruturas, reequilibra músculos e redefine proporções faciais. Um procedimento que reafirma o papel da Odontologia como ciência que une precisão técnica e percepção estética, sempre com foco na saúde integral do paciente.

 

Profa. Dra. Nicole Barbosa Bettiol - Mestra, Doutora e Pós Doutoranda em Ciências pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto na Universidade de São Paulo – FORP / USP. Especialista em Harmonização Orofacial pela Faculdade Sete Lagoas em Harmonização Orofacial, curso credenciado pelo MEC e CFO.  Bettiol é Coordenadora e Professora Especialização de Harmonização OroFacial da APCD-FAOA-Ribeirão. 


Publicado em 24/03/2026.

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