Odontologia e Nutrição
A integração de ambas representa avanço na prática clínica, afirma Celeste Barcelos, nutricionista Clínica Integrativa, com foco em modulação inflamatória

A nutrição integrativa exerce um papel fundamental na saúde dos indivíduos e pode colaborar muito positivamente no sucesso dos tratamentos odontológicos, especialmente nos procedimentos cirúrgicos que envolvem regeneração tecidual e osseointegração. A afirmação é de Celeste Barcelos, nutricionista Clínica Integrativa, com foco em modulação inflamatória, doenças autoimunes e saúde da mulher. Barcelos é especialista em Modulação Imunológica nas Doenças Autoimunes e pós-graduada em Fitoterapia Clínica
"Quando o organismo recebe os nutrientes adequados, a resposta inflamatória ocorre de forma equilibrada, a cicatrização se torna mais eficiente e o risco de complicações é significativamente reduzido", ressalta ela.
Segundo a especialista, a integração entre odontologia e a nutrição representa um avanço na prática clínica, ampliando a visão do cuidado e favorecendo resultados mais previsíveis, duradouros e seguros para o paciente. "Investir na saúde nutricional é investir na qualidade do tratamento bem como na qualidade de vida e longevidade dos pacientes", frisa.
De acordo com Barcelos, o processo de cicatrização de um tecido ocorre em três fases interdependentes: inflamatória, proliferativa e de remodelação. A fase inflamatória é essencial, pois promove a hemostasia, o recrutamento de células imunológicas e a liberação de citocinas e fatores de crescimento que iniciam o reparo. No entanto, quando a inflamação se mantém elevada ou prolongada, há aumento do estresse oxidativo, maior degradação de colágeno e atraso na regeneração. Portanto, o sucesso da cicatrização depende de uma resposta inflamatória eficiente e bem modulada, e não simplesmente de sua supressão.
A alimentação tem influência direta na resposta inflamatória, na síntese de colágeno, na angiogênese e na imunidade. "Dietas adequadas e saudáveis fornecem substratos energéticos e estruturais para o reparo tecidual, enquanto dietas ricas em açúcares simples, gorduras inflamatórias e ultraprocessados aumentam a inflamação sistêmica e prejudicam a regeneração. Além disso, deficiências nutricionais reduzem a atividade fibroblástica e a formação da matriz extracelular, retardando qualquer processo de cicatrização pós-operatória", afirma a nutricionista.
A especialista destaca que são vários os nutrientes ricos em vitaminas e minerais que dão suporte a regeneração tecidual, mas podemos citar os principais: Proteínas e aminoácidos (glicina, prolina, glutamina): essenciais para síntese de colágeno e proliferação celular; Vitamina C: cofator da hidroxilação do colágeno e integridade gengival; Vitamina A: regula diferenciação epitelial e resposta imune; Vitamina D: atua no metabolismo ósseo e na modulação inflamatória; Vitamina K2, cálcio e magnésio: fundamentais para a mineralização óssea e osseointegração; Zinco e cobre: participam da cicatrização, imunidade e remodelação tecidual e oÔmega-3 (EPA e DHA): reduzem inflamação e favorecem a regeneração.
"Alguns alimentos ricos no que chamamos de compostos bioativos, como ômega-3, polifenóis e antioxidantes, são essenciais para a modulação da inflamação. Podemos destacar peixes de água fria, azeite de oliva extravirgem, cúrcuma, gengibre, frutas vermelhas, vegetais verde-escuros e oleaginosas. Esses alimentos reduzem a produção de mediadores inflamatórios e favorecem um ambiente metabólico mais propício à cicatrização", explica Barcelos.
A nutricionista destaca que, por outro lado, o excesso de açúcar, álcool, alimentos ultraprocessados, gorduras trans e óleos refinados aumenta a inflamação sistêmica, prejudica a função imunológica e reduz a capacidade regenerativa dos tecidos. Além disso, dietas hipoproteicas, ou seja, com baixa ingestão proteica, restritivas ou com baixa ingestão hídrica comprometem a formação de colágeno e a perfusão tecidual, impactando negativamente o pós-operatório.
Os pacientes com inflamação crônica ou doenças autoimunes tem maior dificuldade de cicatrização, salienta a especialista, pois apresentam desregulação imunológica, inflamação sistêmica persistente e um maior estresse oxidativo, fatores que interferem diretamente nas fases de cicatrização. Além disso, é muito comum haver disfunções intestinais e deficiências nutricionais associadas, o que compromete a absorção de nutrientes essenciais para o reparo tecidual e osseointegração. Por isso, nesses casos, a intervenção nutricional individualizada é determinante para a previsibilidade de qualquer processo de cicatrização, bem como dos tratamentos odontológicos.
Quando há deficiências nutricionais, maior demanda metabólica ou processos inflamatórios intensos, a suplementação nutricional e a fitoterapia clínica são indicadas. "Pacientes com baixa ingestão proteica, deficiência de vitamina D, zinco, magnésio, vitamina C ou ômega-3, bem como idosos, pacientes com doenças crônicas, autoimunes ou inflamatórias, frequentemente se beneficiam da suplementação individualizada", pontua Barcelos, acrescentando que a fitoterapia pode ser utilizada como adjuvante no controle inflamatório e na recuperação tecidual, com compostos como cúrcuma (curcumina), gengibre, centelha asiática e camomila, que auxiliam na modulação da inflamação, na cicatrização e no conforto pós-operatório, sempre de forma segura e integrada ao tratamento odontológico.

Orientações nutricionais para pós operatório de Celeste Barcelos
Focar em modular a inflamação, fornecer substratos para regeneração e preservar a integridade do tecido em reparo.
• Priorizar proteínas de boa qualidade em todas as refeições (ovos, peixes, frango, leguminosas).
• Incluir alimentos ricos em vitamina C, zinco e antioxidantes, como frutas, vegetais e sementes.
• Utilizar gorduras anti-inflamatórias, como azeite de oliva e peixes ricos em ômega-3.
• Evitar açúcar, álcool e ultraprocessados nas primeiras semanas.
• Manter boa hidratação e respeitar a consistência alimentar orientada pelo dentista.
• Dormir bem e evitar treinos ou esforços intensos nos primeiros dias, pois o descanso é parte fundamental do processo de cicatrização.
Integração do Cirurgião-Dentista e Nutricionista
A integração dentista e nutricionista ocorre por meio de encaminhamentos estratégicos e troca de informações clínicas. O dentista identifica pacientes com maior risco de complicações ou cicatrização lenta durante a anamnese e encaminha para avaliação nutricional. A nutricionista por sua vez, entra na preparação pré-cirúrgica, analisando exames quanto às vitaminas e minerais, alimentação e correção de deficiências e suporte no pós-operatório, enquanto o dentista acompanha a evolução clínica local.
"É de suma importância fortalecer essa visão sistêmica do paciente, ampliar a educação interdisciplinar e criar protocolos de comunicação entre os profissionais. A integração evolui quando a atuação em equipe passa a ser parte do processo terapêutico, e não apenas um encaminhamento pontual", ressalta Celeste Barcelos.
CELESTE BARCELOS - NUTRICIONISTA
Saúde da Mulher. Transforme seu corpo através da alimentação. Nutrição Imunológica Integrativa.
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Publicado em 13/03/2026.
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