Fundamentos da Oclusão na Reabilitação Oral

Artigo da equipe profs da EAP da APCD Ribeirão Preto

Fundamentos da Oclusão na Reabilitação Oral

Quando nos propomos a trabalhar com Reabilitação Oral em seus diferentes âmbitos, devemos ter em mente alguns conceitos muito importantes. Um deles é que saúde não significa apenas a ausência de doença, mas também um bem estar somático, psíquico e social em harmonia no meio em que vive (Fernandes Neto, A.J., et al. Univ. Fed. Uberlândia – 2005).

É importante que os profissionais que trabalhem com pacientes que apresentam perdas dentárias, sejam elas unitárias ou múltiplas, compreendam que estes pacientes também sofrem com as consequências das desordens do Aparelho Estomatognático e estruturas relacionadas (Fernandes Neto, A.J., et al. Univ. Fed. Uberlândia – 2005).

É preciso levar em consideração que os fatores somáticos, psíquicos e sociais podem também estar alterados nestes pacientes com perdas dentárias, comprometendo o senso normal de bem estar. Estes pacientes podem apresentar persistente desconforto na face, cabeça, articulações temporomandibulares, pescoço, estalidos, além de contrações, fadiga muscular, perda da dimensão vertical de oclusão e limitação dos movimentos mandibulares.

Mesmo com o conhecimento que os profissionais da Odontologia têm sobre essas desordens do Aparelho Estomatognático e suas consequências, uma grande parcela de dentistas ainda não propõe em reabilitar estes pacientes, talvez pela falta de segurança na execução dos conceitos de oclusão na reabilitação oral.

Considerando que as condutas terapêuticas se sustentam primordialmente na remoção dos fatores etiológicos e no resgate da biologia dos tecidos e fisiologia do Aparelho Estomatognático, não se pode pensar em Reabilitação Oral sem um profundo conhecimento dos conceitos de oclusão, uma vez que a partir deles serão definidos a morfologia oclusal necessária para a obtenção de uma relação interdental ideal durante o relacionamento estático e dinâmicos dos maxilares.

Os determinantes da oclusão podem ser divididos basicamente em dois grupos: Determinantes Fixos e Determinantes Variáveis. Os Fixos são determinantes constantes, inalteráveis por intervenções odontológicas (angulação da guia condilar, morfologia da parede mesial da fossa mandibular e distância intercondilar). Já os determinantes variáveis são aqueles que podem ser modificados através de procedimentos odontológicos (guia anterior, plano oclusal, Curva de Spee e os trespasses vertical e horizontal), a fim de se obter excelência estética e funcional no momento da reabilitação oral.

Esses determinantes vão estabelecer a localização exata dos dentes a serem reabilitados bem como altura de cúspide, profundidade das fossas, direção dos sulcos e cristas marginais destes dentes artificiais a serem repostos na cavidade oral. Ao conhecer a posição estática das cúspides cêntricas superiores e inferiores, consegue- se estabelecer as trajetórias dos movimentos dessas cúspides sobre o dente antagonista nos movimentos de lateralidade (trabalho e balanceio), bem como no movimento protrusivo.

É preciso entender também que a função dos guias é proteger os dentes posteriores de estarem recebendo uma carga contínua durante os movimentos excursivos da mandíbula, e que isto se dá de maneira diferente em pacientes dentados e desdentados total ou parcialmente. Basicamente, em pacientes desdentados totais precisamos buscar uma oclusão balanceada bilateralmente, com uma montagem dos dentes artificiais que promova contatos posteriores no movimento de protrusão (montagem do segundo molar em rampa), além da busca da função em grupo nos movimentos de lateralidade, enquanto que em pacientes dentados, devemos buscar o oposto a isso, ou seja, desoclusão dos dentes posteriores promovido pela guia canina nos movimentos de lateralidade, bem como ausência de toque posterior quando na protusão, buscando conforto e relaxamento muscular.

Assim, sem o conhecimento das guias e dos conceitos básicos em oclusão, é impossível que o profissional desenvolva qualquer tipo de reabilitação em seu paciente com uma oclusão livre de interferências, ou seja, livre de problemas que possam acarretar traumas oclusais, tendo as guias de desoclusão papel importantíssimo no planejamento da reabilitação oral.

Além disso, o conhecimento dos determinantes da morfologia oclusal também é imprescindível na prática diária odontológica, para estabelecer ou restabelecer uma oclusão interativa com o sistema estomatognático do paciente.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
V’ ASH, M.; RAMFJORD, S. Oclusão. Ed. Interamericana, 30 ed., São Paulo, 1984. V’ BASSANTA, A.D.; BASSANTA, D.S. Prótese fixa – atualidades e perspectivas. Ed. Sarvier, São Paulo, 1997. 
V’ NUNES, L.J. et al. Oclusão, enceramento e escultura dental. Pancast, São Paulo, 1997.  V’ OKESON, J.P. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. Editora Artes Medicas, 40 edição, São Paulo, 2000. 
V’ SANTOS JR, J. Oclusão, princípios e conceitos. Ed. Santos. 40 ed., São Paulo, 1996. V’ SHILLINGBURG, H.T. et al. Fundamentos de prótese fixa. Ed. Quintessence, 30 ed, São Paulo, 1998

* Dr. Gustavo Palma Nogueira  - especialista em Dentística e Endodontia; Profa. Dra. Bruna Honório Tonin - especialista em Prótese Dentária. Mestra e doutora em Reabilitação Oral ;  Profa. Dra. Juliana Barchelli Pinheiro Lourenço - mestra e doutora em Reabilitação Oral;  Profa. Dra. Lívia Fiorin  especialista, mestra e doutoranda em Reabilitação Oral ;  Profa. Dra. Suleima Alves do Vale - especialista em Implantodontia,  mestra e doutora  em Reabilitação Oral.


Fonte: Revista APCD Ribeirão
Edição de dezembro 2021


Publicado em 23/12/2021.

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