Doença de Hyme-Doença Bacteriana: É transmitida por carrapatos afeta a saúde bucal

O membro da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilofacial do CROSP, Dr. Victor Montalli discorre sobre a doença

Doença de Hyme-Doença Bacteriana: É transmitida por carrapatos afeta a saúde bucal

Desde 1992, no Brasil, é diagnosticada a doença de Lyme. A doença é de origem bacteriana causada pela Borrelia burgdorferi, que é transmitida pela picada de carrapatos do gênero ixodes. A doença é transmitida por vetores mais comuns no Hemisfério Norte. Nos Estados Unidos, o principal agente é a B. burgdorferi, já na Europa e Ásia, outras espécies como Borrelia afzelii e Borrelia garinii. Lyme ganhou ainda mais visibilidade quando celebridades da música divulgaram suas lutas com as sequelas da doença.

O membro da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Victor Montalli, explica que o estágio inicial costuma apresentar uma erupção cutânea característica no local da picada, entre uma e quatro semanas após a exposição. Os sintomas incluem febre, calafrios, fadiga, mialgia e cefaleia. Em quadros mais graves, podem surgir meningite asséptica, paralisia facial (paralisia de Bell) e alterações cardíacas, como arritmias e bloqueio atrioventricular.

O diagnóstico inicial é clínico, baseado no eritema migratório e na exposição a carrapatos. Em estágios avançados, são realizados exames sorológicos para detectar anticorpos contra a bactéria. Sem tratamento, a infecção pode se disseminar, comprometendo a pele, as articulações, o coração e o sistema nervoso.
 

Relevância para a Odontologia

“O cirurgião-dentista tem papel essencial na identificação de sinais e sintomas que se manifestam na região da cabeça e pescoço. O diagnóstico correto é crucial para encaminhar o paciente ao tratamento médico adequado e evitar complicações”, destaca o Dr. Montalli.

Entre as manifestações orofaciais o profissional destaca a paralisia de Bell, complicação neurológica que afeta o nervo facial, levando à assimetria da face; a parestesia, sensação de dormência ou formigamento na região bucofacial; dor e limitação da articulação temporomandibular, com dificuldade nos movimentos de abertura e fechamento da boca; cefaleia e dor facial atípica, sintomas sem causa odontológica evidente que podem levantar suspeita da doença.

O presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP, Dr. Yuri Kalinin, reforça que esses sinais devem ser investigados, especialmente quando o paciente relata contato com em áreas com carrapatos.


Prognóstico e possíveis sequelas

Segundo o Dr. Kalinin, a doença de Lyme tem cura. O tratamento precoce com antibióticos garante, na maioria dos casos, recuperação completa. Mesmo em fases mais avançadas, o medicamento costuma ser eficaz, embora a melhora seja mais lenta.

Uma pequena parcela de pacientes pode desenvolver a Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme (SPT-DL), caracterizada por fadiga, dores musculares e problemas cognitivos que podem persistir por meses ou anos.
 

Impacto na prática odontológica

“A doença de Lyme é complexa e apresenta diversas manifestações orofaciais. Para os profissionais de saúde bucal, reconhecer sinais como dor na ATM, paralisia facial ou dor facial sem causa odontológica é fundamental. A atuação interdisciplinar e o encaminhamento correto ao médico garantem melhor prognóstico, evitando a progressão para estágios graves e debilitantes da infecção”, conclui o Dr. Kalinin.


Publicado em 06/02/2026.

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