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Alteração anterior: Mordida Aberta Anterior (MAA)

Artigo do prof. Raul Pinto Neto da equipe de Ortodontia da EAP/APCD-RP

Alteração anterior: Mordida Aberta Anterior (MAA)

Vista como um dos maiores desafios dos ortodontistas, a mordida aberta é uma das maloclusões de maior comprometimento estético-funcional (MAIA et al. 2008; MATSUMOTO, 2011). Persiste uma preocupação, não só quanto ao diagnóstico e tratamento, mas principalmente no que diz respeito à estabilidade dos resultados obtidos e recidiva. Caracteriza-se como a presença de um trespasse vertical negativo entre as bordas incisais dos dentes anteriores superiores e inferiores, provocando alterações dentárias e esqueléticas, dificultando a apreensão e o corte de alimentos, além de prejudicar na fonação, podendo causar condições psicológicas desfavoráveis (BINATO et al., 2006; REIS et al., 2007; MAIA et al., 2008; MOROSINI et al., 2011; VALARELLI, JANSON, 2014).

A mordida aberta representa uma das maloclusões mais difíceis de tratar, apresentando uma etiologia multifatorial, sendo as principais causas a hereditariedade e as causas ambientais. Entre os genéticos, podemos mencionar o padrão de crescimento vertical predeterminado, já as causas ambientais:  hipertrofia das amigdalas, respiração bucal, hábitos bucais deletérios (sucção não nutritiva) anquilose dentária, fonação e deglutição atípicas, postura anterior da língua em repouso e anormalidades no processo de erupção. (LOPEZ et al., 2007; REIS et al., 2007; MAIA et al., 2008; ARTESE et al., 2011; MOROSINI et al., 2011; MATSUMOTO et al., 2012; VALARELLI, JANSON, 2014; GRACCO et al., 2016)

A morfologia da mordida aberta esquelética não se delimita somente à região anterior. O trespasse vertical negativo se amplia desde os dentes anteriores para áreas de pré-molares e molares (Figura 1A), caracterizando-se cefalometricamente pelo aumento do ângulo do plano mandibular, trespasse vertical anterior negativo, angulação mesial dos dentes posteriores, planos oclusais divergentes, arco superior atrésico, desproporção entre as alturas faciais anterior e posterior, aumento da altura facial inferior, rotação do plano palatino no sentido anti-horário, rotação da mandíbula no sentido horário e maior altura alveolar na região posterior da maxila (Figura 2). De outro modo, a mordida aberta dentária se caracteriza como trespasse vertical negativo, localizado somente na região anterior, sendo circular e circunscrita, configurando-se por um impedimento no processo ativo de irrupção dentária (geralmente causado por hábitos de sucção), provocando desta forma, redução no crescimento alveolar da região anterior da maxila e da mandíbula (Figura 1B) (VALARELLI, JANSON, 2014).

Figura 1 - A) Morfologia da mordida aberta anterior esquelética. B) Morfologia da mordida aberta anterior dentária.  Fonte: Janson & Valarelli,2014, p. 253
 

Figura 2 - Caracterização esquelética da mordida aberta anterior.  
Fonte: Janson & Valarelli,2014, p. 254


Várias possibilidades têm sido utilizadas no tratamento da mordida aberta anterior, entre elas: grade palatina, forças ortopédicas, ajuste oclusal, camuflagem com ou sem exodontias, mini-implantes ou miniplacas e cirurgia ortognática. No entanto, o diagnóstico correto e a determinação da etiologia possibilitam estabelecer os objetivos e o plano de tratamento ideal para essa má-oclusão (MATSUMOTO, 2011; MATSUMOTO et al., 2012; GRACCO et al., 2016).

Em adultos, o melhor tratamento para as más oclusões com grandes discrepâncias esqueléticas deveria abranger a associação entre cirurgia Ortognática e Ortodontia para resolver os problemas estéticos e funcionais, obtendo também     maior estabilidade no pós-tratamento. Entretanto, muitos pacientes não querem fazer cirurgia devido aos riscos e alto custo deste procedimento. Para o tratamento compensatório da MAA, o Ortodontista pode optar por tratamento com ou sem extrações, uso de elásticos, grades, esporões, intrusão de dentes posteriores com uso de mini parafusos ou miniplacas, e ou extrusão dos anteriores (FARRET et al., 2010; GRACCO et al., 2016).

Além disso, a abordagem multidisciplinar: ortodontista, psicólogo, otorrinolaringologista e do fonoaudiólogo, pode determinar o sucesso do tratamento, diminuindo o risco de recidiva desta má oclusão (REIS, PINHEIRO e MALAFAIA, 2007; MAIA et al., 2008; GRACCO et al., 2016).


Fonte: Revista APCD-Ribeirão
Edição: novembro 2021


Publicado em 24/11/2021.

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