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Resina colorida facilita trabalho de ortodontistas

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP tiveram uma idéia que vai facilitar o trabalho dos ortodontistas: usar resina colorida para colar os bráquetes do aparelho ortodôntico fixo. A medida será muito útil no momento de retirada do aparelho: a coloração vai permitir uma melhor visualização do local onde há resina para que ela seja totalmente removida dos dentes. A idéia já está em processo de patente.

“A inovação está no novo uso que demos à resina colorida. Atualmente ela é usada na odontologia apenas na caracterização de dentes, quando é preciso, por exemplo, deixá-los com manchas”, explica o professor da FOB Paulo Afonso Silveira Francisconi. Ele foi o orientador do ortodontista Tiago Turri de Castro Ribeiro na monografia apresentada para o curso de Especialização em Ortodontia realizado entre 2002 e 2006 no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) da USP, em Bauru.

“O trabalho completo de retirada do aparelho ortodôntico fixo e limpeza dos dentes costuma levar, em média, cerca de duas horas, e é muito cansativo tanto para o ortodontista como para o paciente”, explica o professor Francisconi. “Como a resina convencional não é visualizada facilmente, o profissional muitas vezes acaba deixando um pouco do produto nos dentes, o que pode levar ao acúmulo de restos de alimentos e de microorganismos no lugar, favorecendo o aparecimento da cárie. No caso de o ortodontista passar a broca onde não há resina, pode-se riscar ou desgastar o esmalte do dente”, esclarece.

Os bráquetes são colados ao dente com a resina convencional que tem a mesma coloração dentária. O problema é quando chega o momento de retirar o aparelho. Quando os bráquetes são removidos, a resina fica colada ao dente. E é neste momento que a resina colorida vai facilitar o trabalho dos ortodontistas, pois permitirá uma melhor visualização de onde há resina, favorecendo sua retirada. “Este procedimento, de usar a resina convencional, da cor do dente, é usada em todo o mundo”, lembra o professor.

Franciscone conta que, em 2007, ele foi um dos membros da banca examinadora que avaliou a pesquisa de doutorado do ortodontista Alexandre Fortes Drummond realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “A tese de Drummond comprovou que a maior dificuldade apresentada pelos ortodontistas era exatamente remover por completo os restos de resina dos dentes”, informa.

Potencial de comercialização

Os testes foram realizados no Laboratório de Materiais Dentários da FOB. Para chegar à resina colorida, Tiago Turri de Castro Ribeiro conta que misturou corante da cor cinza e resina convencional em partes iguais em volume. “A capacidade adesiva da resina colorida foi semelhante ao da resina convencional. A colorida também se mostrou mais fácil de ser removida”, conta Castro Ribeiro, que atualmente trabalha como ortodontista do Centrinho.

“Estamos agora fazendo contato com empresas interessadas em viabilizar a comercialização do produto”, informa. Castro Ribeiro lembra que não haverá necessidade de a empresa fazer investimento tecnológico para desenvolver a resina colorida, visto que ela já existe. “O que será preciso fazer é adequar o uso deste produto que já existe para esta nova finalidade.”

Já os pacientes podem ficar tranqüilos, pois ficarão apenas com o “sorriso metálico”: “Se no momento de colar os bráquetes o ortodontista usar uma quantidade muito grande de resina colorida e ela ficar aparecendo em cima do dente, é só retirar o excesso antes que o material endureça”, esclarece o pesquisador.

Mais informações: (0XX14) 3235-8261 / 8263, e-mails tiagoturri@yahoo.com.br (Tiago Turri de Castro) ou pasf@fob.usp.br (Paulo Afonso Silveira Franciscone).

(16) 3630-0711

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