Manejo de casos complexos com utilização de guias endodônticos

Eloá Cristina Bicego-Pereira, Emelly de Aveiro, Brenda Paula Figueiredo de Almeida Gomes

Manejo de casos complexos com utilização de guias endodônticos

A utilização da tecnologia para resolução de casos complexos é cada vez mais presente na Endodontia, visto que podemos realizar tratamentos mais previsíveis com menor desgaste dental. Os guias endodônticos são utilizados para tratamentos que os métodos convencionais podem prejudicar o prognóstico, sendo por desgastes exacerbados ou perfurações. Podemos utilizar guias endodônticos para tratamentos endodônticos de dentes calcificados, remoção de pinos de fibra de vidro, remoção de MTA utilizado em terapias regenerativas, cirurgia parendodôntica guiada. (Pego, 2023)

Durante a realização do guia endodôntico é necessário a obtenção de uma tomografia computadorizada de alta resolução e escaneamento intraoral, produzindo imagens DICOM e STL, respectivamente. Estes arquivos são integrados em um software de planejamento digital, possibilitando a confecção do guia endodôntico, através de uma impressora 3D ou sistema de design CAD/CAM.

O guia pode ser fixado através de parafusos de fixação ou estabilizado através da oclusão do paciente, e pode ser conferido a estabilização com janelas de conferências, cuja finalidade é permitir que o cirurgião observe a adaptação do guia aos dentes. Além disso, possui uma anilha que garantirá a entrada da fresa em posição planejada em software. Assim que recebemos o guia e garantirmos que está em posição oclusal sem nenhuma mal adaptação, começamos a marcar onde faremos a abertura do esmalte com broca diamantada, com grafite. Após a marcação e abertura do esmalte dentário, iniciamos a utilização da fresa para cirurgia guiada de 1.3 da neodent, Brasil (Vianna et al., 2024).

A calcificação pulpar é caracterizada como a deposição de dentina do canal radicular, podendo obliterar parcialmente ou completamente, associados a trauma dental, tratamentos ortodônticos, tratamentos restauradores extensos, terapias pulpares invasivas, abfrações e pacientes mais velhos. (Tavares et al., 2018)

A Associação americana de endodontia relata a grande dificuldade a abertura coronária, de se manejar tratamentos endodônticos com dentes calcificados, mesmo realizados por clínicos mais experientes, e com recursos, são considerados desafiadores e com risco intraoperatório elevado, como perfurações, fratura de instrumentos, degraus e desvios radiculares, podendo levar a perda dentária. (Giri et al 2025)

A utilização dos guias é muito útil em dentes com calcificação em terços médio e apicais. No entanto há limitação quanto a custo, quando a calcificação se encontra em curvaturas extensas, e dentes com diâmetro radicular menor ou próximo ao tamanho da fresa.

Assim como o manejo de dentes calcificados, a remoção de pinos de fibra de vidro pode ser facilitada com guias endodônticos, visando a redução de desgastes dentinários, realizados convencionalmente com desgaste por insertos ultrassônicos ou broca, associados a magnificação técnica na qual apresentam riscos como desvio de canal e perfurações radiculares, por elevada perda de dentina. (Giri et al., 2025)

A utilização de retentores de fibra de vidro vem sendo cada vez mais frequente, em dentes que precisam da instalação de retentor intraradiculares, para garantir maior longevidade do tratamento reabilitador, sendo o que mais se aproxima a dentina pela coloração e módulo de elasticidade. A remoção de pinos de fibra de vidro é desafiadora. Sendo a utilização de guias endodônticos para a remoção de pino de fibra de vidro melhora a precisão e eficiência, facilitando o retratamento sem remoção de dentina desnecessária (Wanderley et al, 2025).

Foi utilizado guia endodôntico durante o planejamento do tratamento endodôntico dos dentes 21 e 11 severamente calcificados, sendo que o dente 21 já havia sido iniciado por outro profissional. Realizamos a solicitação de uma tomografia computadorizada e escaneamento intraoral, observamos a presença de lesão periapical no dente 11 (Figura 1-A), como achado tomográfico, e a total do conduto principal do dente 21, no entanto com lesão periapical em canal lateral vestibular, o qual seguimos como guia para seu tratamento (Figura 1-B). A abertura foi realizada através do guia endodôntico, marcado com grafite e seguida pela fresa 1.3 com medidas realizadas em software para o menor desgaste até encontrarmos luz nos canais radiculares (Figura 1- C-H).

Outro caso que utilizamos guia endodôntico, foi durante a desobturação do canal radicular com a presença de pino de fibra de vidro, em dente associado a prótese parcial fixa, que a paciente optou pela manutenção. O qual foi possível remover o pino de fibra de vidro sem a remoção da prótese e sem desvios e perfuração. (Figura 2 - A-E)

 


 
 

Referências bibliográficas

Giri K, Banga K, Arora S, Elmsmari F, Pawar AM. Management of calcified canals during root canal treatment. A systematic review of case reports. Peer J 2025; 13: e19900.
Pego TJC. Endodontia guiada: indicações, implicações clínicas e protocolo utilizado. Uma revisão bibliográfica da literatura. Universidade do Porto. 2023. 
Tavares WLF, Viana ACD, Machado VC, Henriques LCF, Sobrinho APR. Guided endodontic access of calcified anterior teeth. J Endod 2018; 44: 1195-9.
Vianna TC, Tavares WLF, Rocha PLG, Carvalho M, Silva DAC, Sabbá ACS. Endodontia guiada. Atualidades tecnológicas em endodontia clínica e cirúrgica. 2024. Editora multifoco.
Wanderley VA, Câmara JVF, Santos LA, Ferrari CR, Freire BB. Glass fiber post removal using cone beam computed tomography combined with guided endodontics: a case report. Gen Dent 2025; 73: 28-31.

 

Publicado na Revista APCD-Ribeirão
Edição: novembro de 2025


Publicado em 01/12/2025.

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